Sua vida

Glauco Lessa e mais de centenas de  estudantes, inclusíve eu, estamos chateados com o possível cancelamento do ENEM. Uma prova muito importante para o país, uma prova que decide o futuro de milhares de candidatos. Essa prova, que deveria ser administrada impecavelmente, apresenta falhas que poderiam ser resolvidas de uma forma a favorecer a todos, mas não é assim que estão levando o caso. Leiam, passe a diante. Não podemos calar diante disso.

O Lado Que O MEC, O INEP E A Justiça Federal Desconhecem

Decisões que mudam a vida das pessoas, principalmente quando se estendem a todo território nacional, não podem ser tomadas de forma tão leviana.

Tudo já começou errado, é um fato. O cartão-resposta estava invertido. Algumas provas amarelas vieram com erros de impressão. Criou-se toda uma polêmica em torno disso. Alguns alunos foram prejudicados fatalmente, outros foram bem sucedidos.

Como lidar com essa situação? Espera-se realmente uma medida que tente agradar a gregos e troianos, mas isso é impossível. Sabendo disso, o MEC vem (ou vinha) tentando solucionar os problemas, reaplicando provas (no caso do incidente com os cadernos amarelos), e permitindo ao aluno que tivesse, por acaso, marcado o cartão ao contrário no primeiro dia, se identificar, para que eles não corrigissem errado.

Entendam: o MEC cometeu inúmeros erros, mas vinha tentando repará-los. Uma minoria foi prejudicada comparada ao todo, e correções cirúrgicas estão (ou estavam) sendo planejadas.

Porém, há gente que aparentemente acredita valer a pena sacrificar o todo pela minoria. O ENEM foi suspenso, e agora, além da minoria prejudicada e injustiçada, TODOS OS CANDIDATOS estão prejudicados e injustiçados.

Realmente, vale a pena? Já não bastavam os erros cometidos pelo próprio MEC, agora uma atitude leviana dessa por parte da Justiça Federal? Não bastam alguns candidatos estarem frustrados, todos devem estar frustrados? Milhares de cadernos devem ser reimpressos? Bons resultados na prova devem ser totalmente desconsiderados por causa de erros que não cabem ao candidato resolver?

Senhora Carla de Almeida Miranda Maia, a senhora já foi vestibulanda, certo? Imagino que para ocupar o cargo de juíza que possui hoje, a senhora tenha se esforçado bastante. Seu ano de vestibular foi tranquilo? Digo, foi um ano conturbado, não foi? Agora imagine para todos os candidatos do Enem deste ano, que, além da pressão normal que um vestibular é capaz de causar, ainda têm de lidar com toda essa baderna?

Senhor Fernando Haddad, imagino que o senhor também tenha sido vestibulando antes de ser ministro, e que tenha passado por toda a pressão que o vestibular proporciona. Qual o problema afinal em se elaborar o Enem? Se não existe capacidade suficiente de um órgão público aplicar uma prova por todo o País, que não o faça. Todos sabem que é um processo complicado e trabalhoso, mas se o governo fez questão de dar tamanha evidência ao Enem, que faça isso de forma digna e honrada. É uma vergonha que algo tão importante para o futuro do País contenha erros tão simples e grosseiros.

Preferi usar o termo ''senhora'' e ''senhor'' ao invés de algum que se refira aos respectivos cargos, pois me dirijo à Carla e ao Haddad vestibulandos, àqueles dois, que anos atrás, tiveram todos aqueles temores, que nós, candidatos deste ano, estamos tendo de suportar em peso mais que dobrado. Não compliquem mais as coisas além do que elas já estão complicadas. Ponham-se no lugar de TODOS OS CANDIDATOS dessa prova. Espero que tenham entendido o significado desta mensagem.

Espero ter representado aqui, a voz de todos os candidatos. Pelo menos a voz daqueles que se dedicaram durante todo este ano e que não querem seus esforços despedaçados e em migalhas pelo chão. Sempre há aqueles oportunistas, que querem o cancelamento da prova para terem uma segunda chance. Porém, não são essas vozes que represento neste texto. Para essas pessoas, só posso dizer que, se elas não fizeram por onde durante o tempo que tiveram, não será agora, com um cancelamento de prova, que vão conseguir algum resultado. Não seria justo.

Por fim, peço a todos os envolvidos nessa questão delicada que se ponham nos lugares dos candidatos. Que se ponham do lado deles. Façam como os professores: CORRIJAM APENAS O QUE TIVER DE SER CORRIGIDO. Se os cadernos amarelos vieram impressos errado, corrijam apenas os cadernos amarelos. Se algumas provas foram marcadas ao contrário, desdobrem-se para que essa provas não sejam corrigidas de forma errônea. Mas, por favor, não sacrifiquem toda a prova, não sacrifiquem todos os acertos que o Enem obteve.

Se vocês fossem um professor e tivessem uma prova na mão para correção, zerariam essa prova só por que o aluno errou algumas questões?

Ajam com bom senso. Entendam e atendam o nosso lado. O lado dos candidatos.

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